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A distopia trumpista

O Diário - 6 de março de 2025

A distopia trumpista

Danilo pimenta serrano é advogado e professor universitário

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Os Estados Unidos parecem estar vivendo uma distopia. Ao menos é essa a impressão de quem acompanha o noticiário envolvendo Donald Trump. 

A distopia trumpista vem chacoalhando o mundo nesse início de 2025. Desde o dia 20 de janeiro, quando tomou posse como o 47º presidente dos Estados Unidos, Donald Trump tem fustigado tradicionais aliados dos norte-americanos, como México, Canadá, e boa parte dos países europeus. O republicano ainda retirou os Estados Unidos de importantes organismos ou acordos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio e o Acordo de Paris, que trata de questões climáticas. 

Mais grave, todavia, é a postura de Trump em relação à OTAN. Na qualidade de maior potência militar da história, os Estados Unidos são, na prática, os grandes “garantidores” da organização militar, sem os quais a entidade perde boa parte de seu poderio militar e de sua capacidade dissuasora. 

Ainda mais grave, é o fato de os norte-americanos terem se colocado do mesmo lado de China, Rússia e Coréia do Norte em uma recente votação na ONU, sobre uma resolução condenando a invasão russa à Ucrânia. É inacreditável que o país que se intitula “terra da liberdade” em seu hino-nacional pôs-se ao lado das tiranias ao votar uma resolução que condenava os agressores russos. Inclusive, a dantesca reunião de Trump com o ucraniano Volodymyr Zelensky parece ser um reflexo da incontida simpatia do norte-americano pelo autocrata Vladmir Putin.  

E diferentemente de sua primeira passagem pela Casa Branca, dessa vez Trump parece adotar políticas econômicas flagrantemente prejudiciais aos norte-americanos. As tais tarifas que o republicano ameaça impor aos demais países, inclusive aliados, certamente impactarão negativamente a inflação nos Estados Unidos, reduzindo o poder de compra dos norte-americanos.  

Serão 4 anos bastante intensos para os Estados Unidos e para o mundo.