Fraqueza e força
Diocese de Barretos - 12 de março de 2025

Fraqueza e força
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Por Pe. Flávio Aparecido Pereira, Vigário Catedral, Barretos-SP
Paulo nos orienta que a nossa força deve estar em Deus, pois é a partir Dele que nós nos refazemos, nos movemos e mudamos nossa perspectiva acerca de tudo. Em meio a tantas desesperanças, mesmo que estejamos nadando contra a correnteza, não devemos perder o que nos é mais sagrado: a fé.
Quantas pessoas gostariam de ter as possibilidades que temos em nossas vidas e não as têm. Diversas situações nos tiram da zona de conforto e nos fazem desacreditar, no entanto, isso não significa que não temos fé, mas sim que estamos debilitados e não nos sentimos bem no modo em que as coisas estão se desdobrando.
A fraqueza vem, as dores tomam conta de nós, lágrimas escorrem, o sorriso se esvai, o chão nos é tirado. Sensações como estas são comuns de acontecer, uma vez que não temos o controle por completo de nossos sentimentos e emoções.
Quando algo de muito ruim nos acontece passamos a ter dúvidas e questionamentos vêm e vão na velocidade do vento, isso coloca diante de nós duas possibilidades: ou nos agarramos à fé, ou nos deixamos ser conduzidos pela correnteza do mundo. Se agarrar na fé é o modo de evidenciar o quão maduros estamos, pois isso nos impulsiona a estarmos mais próximos de Deus, da oração e vivenciando melhor a experiência de intimidade com Ele. Ser conduzido pela correnteza é entrar no modo ‘tanto faz’, não se importando com tudo, deixando aquilo está perdido sem rumo e sem direção, sem perspectiva de mudanças. Neste segundo ponto, o que predomina é a fraqueza humana, a qual vemos problemas em tudo, nunca enxergando a mão de Deus e nem nos apegando ao sagrado.
O que seria força de Deus em nossas vidas? Nada mais do que um abandono na confiança de que a providência divina está agindo e cuidando, com toda ternura, de tudo o que nos circunda. Abandonar é sentir a firme certeza de que os passos dados nunca serão solitários, mesmo que permeados de adversidades, é Deus quem nos carrega em seus braços; é deixar ser conduzido pelo impulso que grita, como em São Paulo: “Mas ele me disse: Basta-se a minha graça, pois é na fraqueza que se revela a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor a Cristo. Porque quando me sinto fraco, é que sou forte” (2Cor 12,9-10).
Quando estivermos cansados, tristes e desanimados, que possamos nos abandonar nos braços do Pai, pois incessantemente Ele cuida de nós e nos redobra as forças, quando delas verdadeiramente necessitamos.