A inteligência artificial vai te dominar?
O Diário - 27 de março de 2025

André Luís L. Ribeiro, professor de Literatura e Redação, sócio-fundador do Curso Vozes Humanas, Redação & Repertório
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Muitos filmes de ficção científica se baseiam no conflito sempre imaginado entre humanidade e máquinas. O que mais me agradou foi Matrix (1999, de Lana Wachowski e Lilly Wachowski), por causa de seu roteiro filosófico e da verdade de sua ficção.
Primeiro: o personagem Neo (Keanu Reeves) é um tipo de redentor que, antes de cumprir sua missão, precisa aceitar que o mundo como nós o conhecemos já não existe – é só uma simulação feita pelas máquinas. Depois, precisa preparar-se para ser o salvador da espécie humana, escravizada pela inteligência artificial.
O segundo ponto: a verdade dessa ficção. Explicando: sabe por que você interpreta a imagem de um adolescente de mochila nas costas como a de um estudante? Porque é um padrão tantas vezes repetido que seu cérebro vai pela via mais rápida, e pronto, interpreta.
Falando em padrão: busque conteúdos sobre humor, cinema, educação, literatura, o que quer que seja, e confira – que pessoas apresentam estes conteúdos? Há diversidade? Peça para o seu aplicativo de I.A. gerar a imagem, por exemplo, de cientistas, ou estudantes de medicina. Depois, compare com dados demográficos do país relacionados às etnias aqui presentes. A proporção é correspondente?
Pois bem – agora, veja se a visão de mundo das pessoas é independente, esta visão está sendo programada para entender algumas pessoas, e não outras, em papéis de destaque. No filme, uma pílula azul simboliza a negação do conhecimento sobre a verdade, e o conforto que resulta disso; a vermelha simboliza a revelação. Aqui, se você aceitar o convite e refletir um pouco, terá tomado a pílula vermelha, e saberá, enfim, que a inteligência artificial já domina nossa visão de mundo há tempos.