A paz que almejamos
O Diário - 5 de abril de 2025

Rosa Carneiro é empresária e presidente da Academia Barretense de Cultura
Compartilhar
Queria que todos os seres humanos tivessem a paz das plantas.
Que o maior valor que ambicionassem fosse a água para suas raízes, e sol para suas folhas, e um bom destino para sua semente.
Como nós, elas também lutam pela sobrevivência. Mas enquanto nós, muitas vezes somos predadores, queremos destruir outros seres com violência, elas nos ensinam o sentido da troca, de oferecer algo para sobreviver, de se aliar e sempre, sempre, dar primeiro para ser recompensada depois.
Sensuais, tingem seus estigmas desde o mais provocante carmim ao mais imaculado branco, se oferecendo a quem passe, por terra ou por ar. Dão o néctar e ganham fecundação. Não tem moral, não vestem roupa, e jamais uma delas foi apedrejada por cumprir seu instinto.
Não, as plantas não têm fronteiras. Privadas de pernas, “passeiam” por todo planeta, suas sementes são levadas pelo vento, pelas águas, por bichos, por qualquer coisa que se mova. Humildes, não rejeitam nenhum, aceitam qualquer animal que as carregue. Simples assim!
As plantas, as árvores, não se sacrificam em nome de um paraíso. Parecem saber que existir é mais importante do que estar viva ou morta. Entornadas no estado de madeira, tornam-se mesas onde é apoiada a comida de quem tem fome; em estantes, suportam o peso da sabedoria; convertidas em camas assistem, guardam segredos e sonhos.
Elas não querem hierarquias, classes, dominações. As que existem em maior número são aquelas que, se oferecem como alimento e assim fazem de todos, seus dependentes. São então reproduzidas, melhoradas, recebem os melhores terrenos. Nem por isso parecem se sentir superiores.
Sem preconceitos, querem apenas sobreviver. Não fazem guerra, não tem maldade, servem como altar e Cruz para Jesus. Elas, todas elas, da frágil margarida a milenar sequoia, ensinam e falam de paz, de amor, de fraternidade e de existência nesse planetinha azul. E especificam assim o misterioso plano de Deus que nós humanos, ainda precisamos entender.