Cidade não é do cidadão
O Diário - 7 de março de 2025

Cidade não é do cidadão
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Um advogado paulistano, visitando parentes e amigos em Barretos, afirmou ter observado uma profunda mudança na cidade. “Agora aqui tem barulho alto”, comentou, dizendo que seus antigos “trainings” e boas caminhadas eram marcados pelo silêncio. Atualmente, o ritmo é do barulho, com carros de som, escapamentos abertos, caminhões e ônibus com ruídos. Quase não se vê moto sem ronco ou estalo passando.
A poluição sonora só pode ser comparada com o descaso ambiental, fazendo ser quase impossível caminhar pelas calçadas do centro e dos bairros. Ora então a cidade não é do cidadão, mas de motoristas e motociclistas. Mas se há um buraco na pista, a reclamação é intensa, imediata e incansável. Entretanto, a via sem pavimentação, a calçada tomada pelo mato, as depressões próprias para entorses, não estão na agenda da comunidade. Tem muito buraco na rua e pouca conservação de calçadas.
Curioso como se acumula água em esquinas e cruzamentos, poças nas vias e lixos em terrenos baldios. Lote vazio significa falta de calçamento, não importando lugar ou cenário.
A questão é evidentemente cultural, com as transformações sociais e as necessidades comunitárias. Andar agora passou a ser “exercício de luxo”, para aliviar stress e ansiedade. Não tem sentido de pressa e urgência, sem valor econômico imediato. Somente com o resgate da cultura de saúde e esporte, de qualidade de vida e valorização fraterna, será possível reduzir o “tom infernal de carros e motos” e retomar condições seguras e adequadas para caminhar pela cidade.
Hoje a cidade, definitivamente, não é para o cidadão!