“Pelos seus frutos os reconhecereis” (Mt 7,16)
Diocese de Barretos - 3 de abril de 2025

“Pelos seus frutos os reconhecereis” (Mt 7,16)
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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.
O evangelista Mateus, ao alertar a comunidade cristã sobre os falsos profetas, que são como “lobos ferozes disfarçados de ovelhas”, alude à metáfora da árvore para afirmar que “uma árvore boa não pode dar frutos ruins, nem uma árvore má dar bons frutos. É pelos seus frutos, portanto, que os reconhecereis” (Mt 7,18.20).
Também o profeta Jeremias, ao distinguir os homens bons dos ruins, diz que será bendito todo aquele que confia no Senhor, pois “ele será como árvore plantada junto à água, que estende suas raízes para o rio e não teme o tempo do calor; suas folhas permanecem verdejantes, não se preocupa com um ano de seca e nunca deixa de produzir o seu fruto” (Jr 17,8).
Portanto, resta-nos perguntar: que frutos estamos produzindo ao sermos enxertados em Cristo pelo batismo? Frutos de salvação ou de perdição? Ou somos apenas uma “figueira estéril” (cf. Lc 13,6-9), como nos conta São Lucas em sua parábola? Que tipo de árvore somos?
Na Sagrada Escritura, encontramos diversos relatos sobre a árvore como símbolo do nosso estado de santidade ou danação. A começar pela “árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2,9), plantada no jardim do Éden, símbolo do pecado original e das origens da humanidade. Metaforicamente, essa árvore representa a vida do primeiro homem, plantado no paraíso, mas que, em sua liberdade, autossuficiência e autorreferencialidade, produz o fruto ruim do egoísmo, ou seja, de quem deseja ser pleno por si só, sem Deus, como se em nada dependesse do Criador. No entanto, Jesus afirma: “Eu sou a videira e vós sois os ramos” (Jo 15,5).
Bom fruto produziu a sarça ardente no monte Horeb: o fruto da conversão e da vocação de Moisés. Ele, que temia ser morto pelos egípcios por ter ferido um deles ao defender a vida de um de seus irmãos, deveria então descer ao Egito para libertar o povo de Deus da escravidão do faraó, tornando-se patriarca e guia desse povo até a Terra Prometida.
Contudo, é na maciça e seca árvore da cruz, plantada no monte Calvário, irrigada com o “sangue e a água” (Jo 19,34) que saíram do lado aberto de Jesus Cristo, que se produzirá o “fruto bendito” (cf. Lc 1,42), capaz de salvar a humanidade. Quem comer desse fruto terá a vida eterna. “Com efeito, minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele” (Jo 6,55-56), disse Jesus.